Textos e temas

A interdisciplinaridade e planejamento 


Surge uma nova ordem no cotidiano das salas de aula, que desafia a comunicação entre os educadores e a interação com as diversas áreas do conhecimento.
Ensinar de forma desarticulada está com os dias contados. Há que se pensar e se conduzir para a construção de conteúdos que se articulem, pois é necessário o diálogo entre as várias disciplinas, propiciando a comunicação significava entre os diferentes conteúdos ensinados, a forma, o objetivo e a coerência para ensiná-los.
Inseridos num mundo em contínua transformação, com informações que exigem suporte para a recepção, para a análise e para a imediata acomodação, os educando necessitam perceber o cotidiano escolar de forma articulada, dinâmica e, sobretudo, comunicativa. Ativa não apenas a comunicar, mas a receber e analisar toda e qualquer informação que se apresentar no cotidiano dos alunos.
O modelo de ensino isolado na sala de aula está superado para sempre, pois é da articulação e do diálogo entre as disciplinas que se constrói o significado do que conhecer, por que e como interagir com esse conhecimento?
Planejar para uma ação interdisciplinar exige diálogo, conhecimento, estudo, organização e divisão de tarefas. A interdisciplinaridade é um desafio e, ao mesmo tempo, um exercício de humildade, solidariedade, reconhecimento de si e do outro no espaço pedagógico. Dessa dinâmica poderá surgir a identificação entre as diferentes áreas, resgatando a importância para determinados conteúdos formais ou para a complementação de conteúdos a serem abordados por outras áreas do conhecimento.
A postura de articular diferentes áreas no ambiente escolar poderá construir uma identidade para o educador voltada à pesquisa em sala de aula. O sentido desse diálogo entre as disciplinas oferece significado para alunos e para professores. A articulação de saberes suscita novas idéias e posturas, que resultam em movimentos pedagógicos: projetos escolares de cunho social, trabalhando a formação do aluno como cidadão; Construção de ações educativas, objetivando a sensibilização para a sustentabilidade ambiental, para a ética no convívio social entre outras.
Quando tudo parecia estagnado nesse ambiente chamado escola, em comparação com todo o movimento de constantes novidades e transformações que envolvem o entorno. A escola parecia (em momentos parece) perdida, superada no seu objetivo maior: formar e educar? Parece tão elementar responder a essa indagação, com outra não menos provocativa. Que ambiente irá traduzir significados para todas essas informações que nos chegam a todo instante? De que forma e como fazê-lo? Quem irá refletir e agir em torno de tantas inovações?
A interdisciplinaridade nos convida a um exercício pedagógico diário voltado a comunicação, ao estudo e ao planejamento no ambiente escolar.

A escola resgata sua importância e amplia sua ação educativa na construção de valores que integram o homem cidadão, com a responsabilidade de articular seu conhecimento formal em detrimento da sociedade e, não meramente para a sua formação pessoal, e, ou familiar. O indivíduo é chamado a refletir sobre as ações já realizadas e aquelas que irá empreender. Sobre os impactos que poderá causar e como sanar os que aconteceram. Como pensar para agir e como mediar as suas ações, a fim de diminuir os efeitos que possam comprometer os ambientes que integram a sua vida e a vida de outros seres vivos? Com isso, a escola cresce nutrindo-se através do exercício da articulação entre os diferentes saberes.



A sua teoria educacional surge num momento crucial, num momento em que as Teorias Críticas da Reprodução não viam mais perspectiva para a Educação. Ao contrário dos educadores das Teorias Críticas da Reprodução, Paulo Freire vê a Educação impregnada de esperança, tanto que não hesitou em chamá-la de Pedagogia da Esperança.
A Educação trás consigo um coeficiente muito grande de Esperança. Ela pode mudar muito a realidade, dependendo de como a aplicamos e da maneira que a concebemos. Nem tudo está perdido, dizia Paulo Freire, basta o trabalho educacional e teremos o que queremos, uma Educação verdadeira que dê conta da mudança da realidade.
Mas as contribuições e inovações de Paulo Freire não param por aí, pois além da Educação ser embasada em uma esperança, é necessário:
(...) que saibamos que, sem certas qualidades ou virtudes como amorosidade, respeito aos outros, tolerância, humildade, gosto pela alegria, gosto pela vida, abertura ao novo, disponibilidade à mudança, persistência na luta, recusa aos fatalismos(...) abertura à justiça, não é possível a prática pedagógico-progressista, que não se faz apenas com ciência e técnica (FREIRE,1997,p. 136).

Todas estas características, ou como chama Paulo Freire, virtudes, serão, no nosso trabalho, explicadas através das palavras-chave: Esperança Humildade, Amor e Solidariedade.
Para entendermos o que é a proposta educacional em Paulo Freire, dois conceitos tem de ter a suas características bem compreendidas. Trata-se do conceito de homem, o qual já vimos no item anterior, e o conceito de sociedade.
Sociedade, para Paulo Freire, não é um objeto estagnado, sem mudança. Ao contrário, é um processo em constante modificação e transição.
Sendo composta por valores, a sociedade está à mercê, durante sua existência, de uma possível degradação, chegando a um certo ponto a sofrer um momento de transição. Suponhamos a nossa sociedade brasileira com todo seu conjunto de valores, que fazem a identidade de nosso povo. Estes mesmos valores podem, aos poucos, entrarem em degradação e levarem à mudança.
Mas, há que se deixar bem claro que esta transição de alguns valores e a conseqüente aquisição de outros, não implica no esquecimento daqueles, pois “(...) todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje (...). Temos de saber o que fomos, para saber o que seremos” (FREIRE, 1982b, p. 33).
A sociedade , por ser constituída de valores, é capaz da alienação das consciências através destes mesmo valores, que como bem sabemos, nem sempre são valores, pois estes podem servir como suporte na perpetuação do status quo, com todas as suas implicações e justificações[1].
Perguntamos então, após esta compreensão de homem e sociedade, qual a ligação deste dois conceitos à educação?
Ora, a resposta é simples, pois o homem, através da educação, descobre um meio para a construção de um novo status. Este novo status deve possibilitar ao homem as mesmas condições que a classe dominante lhe impossibilitou de obter.
Esse é um aspecto um pouco restrito no modo de compreensão da Educação, pois o objetivo primordial da Educação é levar o ser humano a se livrar das amálgamas que o impedem de desenvolver seu próprio ser.
A Educação, para Freire, não é uma doação ou imposição, mas uma devolução dos conteúdos coletados na própria sociedade, que depois de sistematizados e organizados, são devolvidos aos indivíduos na busca de uma construção de consciências críticas frente ao mundo.
É educando pela conscientização do “educando” que Freire fundamenta a união entre a Educação e o processo de mudança social.
A Educação, para Paulo Freire, contrapondo-se ao que ele chama de “educação bancária”[2], é acima de tudo problematizadora, ou seja, está intimamente ligada à realidade, ao contexto social em que vivem o professor e o aluno e onde o ato de conhecer não está separado daquilo que se conhece. O conhecimento está sempre dirigido para alguma coisa.
Sendo assim, o homem, um ser inacabado, toma consciência do seu inacabamento e busca, através da Educação, realizar mais plenamente sua pessoalidade. A partir desta visão torna-se tarefa primordial da Educação levar o ser humano o mais próximo possível da perfeição. Assim expõe L. FERACINE, comentando o pensamento de Freire: “Ele (o homem) cria no sentido de explicitar, fazer desabrochar, dar desenvolvimento às potencialidades que existem em estado latente e embrional”
[1] Justifica-se, por exemplo, a hierarquia patrão – servo; toda a situação econômica; cria preconceitos os mais variados possíveis etc..
[2] Educação tradicional e tecnicista que identifica a educação como um depósito bancário, onde o aluno nada sabe e o professor é o detentor do saber.
Sidnei Laone Eisenbraun é formado em Filosofia e Personal & Profissional Coach. Palestrante nas áreas de atendimento, RH. Experiência como Líder, atuou na área de Atendimento em multinacional no ramo de Seguros por vários anos.
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